TORÇÕES DO TORNOZELO

Estima-se que ocorra uma torção do tornozelo por dia para cada 10.000 habitantes, ou seja,somente em Porto Alegre ocorre em torno de 1000 entorses por semana. Os ligamentos do tornozelo são as estruturas mais lesadas no corpo de um atleta, correspondendo de 38 à 45 % de todas as lesões sofridas. Um sexto dos motivos de afastamento do esporte é por entorse do tornozelo e a causa mais comum desta lesão em uma dada região, varia com o esporte prevalente naquele local.

Desta forma, nos EUA quase 50 % dos entorses de tornozelo ocorrem durante a prática de basquetebol. No nosso meio, certamente a lesão do tornozelo está muito mais relacionada com o futebol do que ao basquetebol. Uma vez sofrido o entorse do tornozelo, a chance de um segundo episódio pode tornar-se bastante aumentada, principalmente se o tratamento não é adequadamente instituído. É estima do que 20 a 40 % dos pacientes que sofrem uma torção do tornozelo persistam com algum sintoma residual após a fase aguda do traumatismo e estas sequelas dependem muito da adesão do paciente ao tratamento recomendado. O RX pode mostrar a lesão somente nos casos em que o ligamento é rompido junto ao osso e carrega consigo um fragmento deste, de outra maneira esta lesão passa despercebida ao exame radiográfico. Como a enorme maioria das lesões do tornozelo ocorrem no ligamento propriamente dito, e não na sua inserção óssea, as radiografias habitualmente realizadas não permitem quantificar a gravidade da lesão e um adequado exame clínico é o melhor meio para esta avaliação. Em pacientes com história de entorses de repetição, um meio eficaz de avaliar a competência dos ligamentos do tornozelo é o “ rx com stress” da articulação. Neste caso, a radiografia é realizada com a articulação em posição de extrema inversão (o mesmo movimento sofrido pelo tornozelo no momento da torção), podendo-se observar uma abertura ou subluxação na articulação. Este exame está indicado para todos pacientes que apresentam entorses de repetição no tornozelo e/ou que apresentem sensação de insegurança (medo de torcer) após um ou mais episódios de torção articular.Em casos agudos, ou seja, logo após uma torção do tornozelo, este exame é desnecessário porque, além de ser extremamente doloroso nesta fase, o seu resultado não irá dirigir o tratamento a ser instituído naquele momento. 
As torções do tornozelo machucam a cartilagem articular e podem acelerar o desgaste da articulação, não sendo raro o desenvolvimento de artrose entre estes pacientes. Todo episódio de entorse do tornozelo deve ser tratado por um ortopedista, seguido de um adequado programa de reabilitação antes que o paciente retome suas atividades esportivas. Casos muito graves de instabilidade articular, que não melhoram após um longo período de reabilitação podem beneficiar-se do tratamento cirúrgico, com sutura e reforço dos ligamentos rompidos.